
ora, de um lado, os nossos conceitos são universais, necessários, imutáveis e eternos (Sócrates), do outro, tudo no mundo é individual, contingente e transitório (Heráclito). deve, logo, existir, além do fenomenal, um outro mundo de realidades, objetivamente dotadas dos mesmos atributos dos conceitos subjetivos que as representam. estas realidades chamam-se Idéias. as idéias não são, pois, no sentido platônico, representações intelectuais, formas abstratas do pensamento, são realidades objetivas, modelos e arquétipos eternos de que as coisas visíveis são cópias imperfeitas e fugazes. assim a idéia de homem é o homem abstrato perfeito e universal de que os indivíduos humanos são imitações transitórias e defeituosas.tudo o que podemos tocar e sentir na natureza "flui". não existe, portanto, um elemento básico que não se desintegre. absolutamente tudo o que pertence ao mundo dos sentidos é feito de um material sujeito à corrosão do tempo. ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável. Platão ficou admirado com a semelhança entre todos os fenômenos da natureza e chegou, portanto, à conclusão de que "por cima" ou "por trás" de tudo o que vemos à nossa volta há um número limitado de formas. a estas formas Platão deu o nome de idéias. ele acreditava numa realidade autônoma por trás do mundo dos sentidos. a esta realidade ele deu o nome de mundo das idéias. nele estão as "imagens padrão", as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que encontramos na natureza.a realidade se dividia em duas partes. a primeira parte é o mundo dos sentidos, do qual não podemos ter senão um conhecimento aproximado ou imperfeito, já que para tanto fazemos uso de nossos cinco (aproximados e imperfeitos) sentidos. neste mundo dos sentidos, tudo "flui" e, conseqüentemente, nada é perene. nada é no mundo dos sentidos; nele, as coisas simplesmente surgem e desaparecem. a outra parte é o mundo das idéias, do qual podemos chegar a ter um conhecimento seguro, se para tanto fizermos uso de nossa razão. este mundo das idéias não pode, portanto, ser conhecido através dos sentidos. em compensação, as idéias (ou formas) são eternas e imutáveis.
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